sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O vai e vem do vento

Migalhas de um amor vivido. Era quase impossível esquecer tudo aquilo, havia sempre uma ou outra lembraça num amontoado de pensamentos escondidos numa gaveta qualquer da memória. A chave? Sua presença. Sua presença numa música , num gesto reproduzido por um amigo, ou outra pessoa, na lembrança de um beijo quando da observação de outro casal apaixonado, numa palavra, num cheiro, na sua presença mesmo, física, digo, mas mais ainda na impossibilidade de tocá-lo. Cascalhos apenas... grisalhos que já estavam aqueles pensamentos, ainda assim, reconduziam-me àquele tempo, bom tempo, levado pelo vento. Perdido. Reencontrado, porém, quando o mesmo vento insistira em soprar sobre mim novamente.
Brisa, ora quente, ora fria, a depender de quais memórias saltavam das gavetas que abria. Mas sempre envolventes, sempre. Podia sentir aquele vento abraçar-me e roubar todas as minhas forças, como você fazia. Aconchegante e carinhosamente. No fim, um sorriso, dois, na verdade, os nossos.
A brisa também sorriu, e depois, partiu, e me deixou outra vez sem os abraços. Fechou as gavetas que se abriram na minha mente, trancando de novo teus braços quentes, os beijos envolventes, o cheiro, os gestos, as palavras, as músicas da gente, trancou você, enfim. Fazendo-me crer que nunca mais você ía reaparecer, fazendo-me crer que agora eu iria te esquecer, fazendo-me perceber, no fim, e verdadeiramente, que por sua presença, e súbita ausência - da brisa, digo -  tudo poderia voltar, de repente. Só para eu poder ver meu guarda-roupas desorganizado, quando abrindo suas portas, reviraria todas as minhas roupas, na velha gaveta, até encontrar aquela antiga peça, bem no fundo, aquela que, mesmo sendo fã dos atos de caridade, era 'minha' demais para isso. Porque ela vestia além de um corpo. Vestia, na realidade, parte de minha história, ou a nossa história, por completo, marcante demais, pessoal demais, e portanto, repito, 'minha' demais para ser doada.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Crença e querer

Oi, meu bem, como você está? (...)
Eu te amo, eu também te amo!


O coração palpitava, flamejando de amor. Era o início dele, e eu queria aquilo pro resto dos nossos dias, mesmo sabendo que brigaríamos, mesmo sabendo que podíamos terminar aquele lance, mesmo sabendo que ninguém é de ninguém pra sempre. Mas eram naqueles momentos que eu acreditava no amor de verdade, quando eu também, recostada em seu peito, sentia que seu coração não pulsava normalmente, mesmo que ele negasse, ou não dissesse nada; ali, quando os olhares não eram apenas pupila, retina, cristalino, fazendo seu papel, mas eles queriam ser mais, queriam ser boca, eles falavam, enquanto essa calava, porque não precisava dizer nada. Como algo assim poderia acabar de repente? Tanta perfeição para nada.
Perfeito? eu disse perfeito? Deve ser isso, ele não o é, se acaba, não o é. Acredito na perfeição divina, além dessa... deve ser esse o problema, ele não o é, ele nunca vai ser, quando não for verdadeiro. O que você sente e pensa que é amor, não é amor, amizade talvez. Desejo, amor, não. Deus é amor, se acredito ser Ele, e apenas Ele, perfeito, então, o amor é perfeito se for verdadeiro, porque também acredito que Deus é verdadeiro.
Ligações demoradas, apostilas rabiscadas com corações e nomes dentro desses, quando tudo que eu conseguia fazer enquanto "estudava" era isso, horas olhando para uma parede, ou para um guarda-roupas, ou para o chão, e não vendo nada disso, mas vendo um sorriso, ouvindo uma voz, sentindo um cheiro que não era o meu, nem o do lugar onde eu estava. Paixão, paixão. Como podes ser tão boa assim. E porque passas? Ainda bem que passas... o amor não ganharia forças se juntos, eu e você, você e ela, você e ele, eu e ele, ele e ela, não passassem por momentos onde tudo o que conseguem ver são guarda-roupas, parede e chão, de verdade. Como é complicado. Vive-se, sonha-se, mas também sofre-se, junto. E se não o fosse, não teria graça, porque ninguém aguenta não sair da rotina um dia sequer.
Eu acredito no amor verdadeiro. Eu quero um amor verdadeiro. Com olhares, sorrisos, com descompassos, só pra encontrar um passo de novo. E comemorá-lo. E mesmo assim, complicado, com sonhos, e sofrimentos, com vidas, para formar uma única vida, um único ser, enfim, tudo junto.

Com ligações sem hora certa... e não que algo tão imenso se resuma a um telefone, dois, na verdade - e uma única linha - mas é que não sei se acordaria feliz e disposta para atender todos os telefonemas a qualquer hora, só pra escutar alguém dizer do outro lado qualquer coisa. Mas queria acordar assim sempre, pra atender - Oi, meu, como está? ou o que houve?- e ao fim, responder, ou escutar sempre algo bom - Eu te amo, eu também te amo!

sábado, 26 de novembro de 2011

Quase concreto, nunca completo


Eu sabia muita coisa do que queria, e sabia como fazer para conseguir isso. Mas já sou grandinha o suficiente, e a vida me ensinava todos os dias, o quanto eu terei de crescer para entender um pouquinho só, de cada uma das situações em que ela me coloca. Porque quando achava que tinha crescido o bastante para enfrentar uma delas, porque já tinha passado por aquilo, e agora eu saberia lidar com isso... não, eu não sabia, eu não sei, e no fim, sempre irei me surpreender ao menos um pouco com o que viveria, a cada dia. Um dia talvez eu possa dar conselhos, quase concretos, quase convictos, nunca de um todo certos, sobre determinada situação a uma amiga, um amigo que esteja precisando dessas incertezas para entender suas indeterminações também. Mas de toda forma, eu sempre saberia que por mais que confiasse em mim o bastante para dar esses conselhos, para dizer algo quase concreto sobre alguma coisa que a vida lhe aprontara, eu nunca estaria totalmente certa sobre aquilo. Porque a vida surpreende, porque nem tudo é igual para todos, porque você vive pra aprender mesmo, ainda que, na verdade, o que a gente busca, todos os dias, é aprender pra viver. Deve ser recíproco, é recíproco. Educador e aluno que se completam. É assim que a maioria deles dizem na sala de aula né? "A gente acaba aprendendo muito com vocês"... a vida, em sentido amplo, nem precisa dizer isso mesmo, é muito perfeita para tanto. É da nossa nossa vida, em sentido estrito, de que falo. É sobre ela que recai a reciprocidade que menciono.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pra ajudar o tempo



Eu havia mesmo decidido não escrever mais sobre você. Porque disse a mim mesma, como se minha vontade de não querer mais te escrever fosse suficiente, que não buscaria mais motivo pra escrever nada sobre ti. No meu trato, prometera que tudo o que eu sentisse depois dali por você, não passaria de meus pensamentos, jamais chegaria ao papel, ou à tela. Mas eu esqueci que apaixonar-se não requer contrato, quanto mais desapaixonar-se, esqueci que a paixão tem sua própria palavra, e meu querer não poderia nunca atuar em lugar dela.
Resolvera não olhar mais suas fotografias, nem seus recados, para os outros, nem te ter mais na minha lista de amigos no site de relacionamentos, só pra não ter que ver seu status aparecer de repente na minha página inicial. Porque eu queria você longe de mim, de todas as formas, eu quero, na verdade, e por isso continuo fazendo tudo isso. Nos últimos meses tentei ser mais realista comigo mesma, busquei entender melhor a vida, e os verdadeiros valores que ela apresenta, desejei e busquei crescer humanamente, como nunca tinha feito, e como sempre faria a partir de agora. Tornara-se mais fácil compreender, e aceitar, que só o tempo faria diminuir, e um dia, desaparecer aquele nó que você deixara dentro de meu peito, e que tudo que eu fizesse não seria mais que ajudar esse tempo a trazer um tempo em que o nó não mais existiria, ou pelo menos, não por sua causa.
Outro dia pensei que você, com tudo que me fizera passar, teria me deixado um tanto mais fria em termos de relacionamentos. Mas conversando com uns amigos percebi que não. De uma conversa aprendi que quando sofremos por um amor, o seguinte sempre nos causa uma espécie de receio, é como se tivessé-mos medo de que tudo se transformasse no que passamos da última vez; em outra conversa, descobri que somando-se a isso, passamos a querer enfrentar o amor como algo real, passamos a querer dar um tapa nas ilusões assim que percebemos a presença delas. Por esses motivos, sei que não me tornei fria, ou pelo menos prefiro achar que abri uma das janelas de minha mente que quer construir um amor inteligente, digo, um amor "adulto", sendo mais clara: nada de conto de fadas, é isso.
De qualquer forma, só estou escrevendo de novo sobre você, só estou quebrando meu trato comigo mesma, porque senti a necessidade de abrir meu coração para as palavras, a seu respeito, novamente, como para extrair de mim cada dígito que ainda resta de você. Porque vez em quando ainda vejo tuas fotografias, só pra ter certeza de que o coração sente o que os olhos veem, só pra ter certeza que não é fácil esquecer um amor, e que precisarei ser ainda mais forte pra suportar cada gelo que se segue em meu interior quando te vejo, só pra ter certeza que eu tenho mesmo que continuar ajudando o tempo a trazer meu tempo sem você, de volta.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Descarte


Eu penso, tu pensas, ele pensa...
Mas sabe quando tudo que você quer é deitar sua cabeça no travesseiro, sem pensar em nada complicado, sem pensar que nada é complicado, sem pensar em nada, só deitar, dormir, talvez, e pronto? Não fosse a ansiedade, e o medo, que não se sabe nem de que é, e que você não sabe como controlar, isso poderia ser bem mais fácil. Me disseram certa vez que pensar demais não é bom, mas parando depois, fiz uma correção na afirmativa... pensar demais, em coisas improdutivas demais, é que não faz bem, é que não é bom. Pense sim, mas pense naquilo que te faz feliz, que te põe um sorriso nos lábios, que faz você sentir-se em paz. Descarte porém o que te faz sofrer, descarte dos pensamentos o que te deixa triste, cabisbaixo, o que te faz sentir que tudo que você faz não vai dar certo, o que te deixa mal mesmo. Descarte do pensamento, e depois, da vida. Já dizia o velho ditado, “o que os olhos não veem, o coração não sente”, pois lhe digo mais: o que os olhos não veem, e o que a mente descarta, você não sente, você nem lembra, obviamente, quanto mais seu coração. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Contramão


Ah, coração... quisera eu entender o porque de olhares sempre na direção que não te convém, preciso mesmo te dizer que contramão não faz bem, coração? Mais teimoso ainda que sejas, quando digo que são vãs as tuas perseguições, insistes doentiamente no intento que almejas. Masoquista - acho que és as vezes - que mesmo sabendo o quanto podes sofrer, alimentas, sozinho, o desejo de ter quem nem sequer te ver de longe, e em cuja mente não passas de tecido muscular cardíaco; e para quem estás inteiro, nada mais. Pois sequer consegue imaginar o quanto aquele pano não é nem uma peça, inteira, não consegue enxergar o quanto ele está partido, porque foi deixado de lado, ou porque, nem de lado, foi mais olhado.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Complete-se


Era a angústia, o vazio que consumia aquele ser, e ele não via o vácuo e o motivo para aquilo, mas procurava, e por não conseguir ver o que lhe perturbava - porque era impossível, não existia - se desesperava. Entrelaçando pensamento no vento forte que o dominava, recostava-se na primeira brisa passageira que o alcançava, imaginando agora o que poderia fazer para aquela calmaria permanecer...
Eu diria que ele deveria amar. Que amasse a vida, a sua vida, e não o desejo de ter uma vida igual à do outro. Que amasse os seus amigos, de verdade, pelo carinho sincero que sentia haver entre eles. Que amasse sua família, do jeito como era, nunca desejando que a identidade dela fosse igual à uma que você admirava - as pessoas devem ser amadas pelo que são, não pelo que queremos que elas sejam. Que amasse, enfim, as diferenças, repeitasse-as. Ninguém é igual. Acredito que o fato de se aprender a amar o que há de diferente em cada um, significa aceitar a personalidade do outro, amando consequentemente ao irmão, ao amigo, ao desconhecido, como a você. Porque você também é diferente.
Amar é aceitar, é retribuir, é se completar, também.

"Que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei" (Jo 15, 12.)


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Essencialmente imprescindível


Dizia que eram grilos aqueles "monstros" que não me deixavam em paz, não deixavam de chilrear, fazendo minha mente latejar... Doença que era o medo. Não fosse ele, eu não alimentaria involuntariamente meus pensamentos com o pavor que os rondava, mas deixaria apenas que passassem por ali, e depois outros ventos, saudáveis agora, tomariam espaço onde aquele quisera apenas recostar-se . Esforçava-me para arremessá-los longe, e já tinha certeza que teria de me esforçar para tanto, o resto de minha vida. O Divino me estimulava, e por isso era a Ele a quem eu buscava, sempre; Ele e todas as coisas que são Dele, era isso que eu alimentava, alimento. E já havia provado para mim mesma, que com sua ausência em minha essência, eu não conseguiria. Por isso eu o buscaria, busco, para sempre.

Quanto aos grilos... eles também são criaturas de Deus. Obedientes que são ao nosso criador, tenho certeza que não existe motivo superior a esse que os faça, quando pedidos, se calarem.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tento estar atenta


Concentre-se, mente insessantemente pensante
Donde estás foco que desconheço?
Ou conheço tanto que já és tão comum?
Deito no braço a cabeça
Esqueço de ler as letras que vejo
E só me vem à mente o que está distante
Lembranças de coisas que esquecer, tanto já quis
E que ainda desenha-se com giz num quadro negro em minha mente
Apagador, pra que te quero?
Mas quando quero que apagues a dor da distração que me aflige
Não realizas o trabalho que te cabes
E parece que, de novo, eu só quis
Sento, lenta, soletro, leio, atenta...
Até que eu capte as palavras que, de verdade, vejo.

Numa tarde na sala de estudos da Univerdade, onde  tudo que conseguia
 fazer era não me concentrar no assunto que tentava estudar para uma 
prova de Direito Comercial dois dias depois dali.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Metáfora


Passarinho, que saiu do seu ninho e veio cantar nos arredores de minha casa.
Cante, pequenino!
Vez em quando pousa numa galha do coqueiro, da goiabeira, do cajueiro.
Cumpre seu papel, enfeitando o céu, sem nuvens, e adicionando som à sua cor azul,
Brilhando, o céu, o pássaro, e seu canto, sob os raios do sol da tarde...
Eu também vou cantando, dando letra, e ritmo, e melodia aos sonhos que persigo;
Pousando também, vez em quando, (não somos de ferro)
Mas como você, que mesmo preso entoas tua música, passarinho, e ainda que triste, vives...
Eu também não quero desistir de cantar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Muitos setembros


O ano já estava terminando. Quatro meses apenas e chegaríamos novamente ao Dia Universal da Paz do próximo ano. E eu nem tinha parado pra pensar na quantidade de coisas pelas quais já passara naqueles oito meses completos. Mudei de apartamento. Na Universidade, estudei de verdade, e tive o primeiro final de período, de verdade. Dei um tapa na falsidade, até espantá-la para longe de mim, até perceber que o que vale mesmo não é agradar a todos, mas agradar àqueles que merecem que o façamos. Adquiri o hábito de ler sempre, e de tudo. Sempre achei interessante quem o fazia. Amei, o bastante para me chamar de boba. E levei um tapa desse amor também, forte e dolorido, o tapa, digo. Meu coração quebrou, e sentiu a dor de cada pedaço, estilhaçado. Descobri que sempre amei futebol, e que assistir aos jogos do time que torço, e conversar sobre campeonatos e taças me faz sentir feliz. Fiz boas amizades, poucas, mas suficientes para mostrar que, como diz o velho clichê,  nesse quesito o que vale não é quantidade, mas qualidade. Quiz sentir Deus mais perto de mim, quiz descobri-lo, e busquei isso. E consegui. Consegui que Ele estivesse perto de mim sempre. Não que Ele não estivesse antes, mas o propósito em sentir a sua presença, na sua paz, na sua tranquilidade, me fez enxergá-lo mais nitidamente dentro de mim. Coloquei uns óculos de grau, na verdade, como se minha fé também estivesse precisando de um auxílio para posicionar sua retina. Não precisei de muito grau, mas usá-los foi a coisa mais impressionante que fiz na vida. Mais tarde, quando eu me sentisse da mesma forma, com os mesmos sintomas que estava antes disso, já sabia o problema, já sabia que só precisaria de mais um pouco de grau nos velhos óculos da minha fé. Resolvi que só daria valor àquilo que fosse moralmente, falo em relação ao caráter mesmo, digno disso. Não é o que as pessoas possuem, materialmente falando, que merece nosso respeito, mas o que trazem dentro do peito, e na consciência, cujos reflexos veem estampados nas suas ações. E digo isso, não porque aprendi, porque alguém me disse, mas porque fui quase uma vítima do que chamei Síndrome do Caráter Monetário. Felizmente, fui mais experta que a doença, e sobrevivi. Eu e a humildade que aprendera a levar comigo, sobretudo quando resolvera fazer a autoanálise que me permitiu descobrir que estava ficando doente. Enfim, havia ganhado uma experiência de vida. Pouca para o que ganharia conforme os anos fossem passando, acredito. Mas ganhei, e isso me fizera crescer bastante.
O bastante para agradecer ainda mais a Deus, todos os dias, por tudo o que Ele já me permitira, e me permitiria ter.
Agora, só faltavam quatro meses para o fim daquele ano. É começo de mês ainda. E desejo imensamente acordar durante os 30 dias desse setembro, e durante o resto dos dias do ano, e durante vários anos, e vários setembros, só pra poder viver mais as oportunidades, os sonhos, os amores, só pra poder estudar cada lição que a vida nos aplica, e aprender mais com cada minuto de cada 24horas dessas.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mudar faz parte


Lá em casa,  festas, a companhia agradável de velhos amigos, e da família, sempre indescritível, com os cheiros dos pais e depois dos avós, e suas bençãos. Refrigerantes em meio ao calor do povo reunido na rua, e boas risadas, conversas altas, porque o som estava além do permitido, olhares trocados com os rapazes bonitos que encontrava, lanches nos trailers, mais risadas, e no outro dia, por conta do lanche no fim da festa, uma dor de barriga, talvez, porque nada é perfeito. E eu resolvera ficar longe dos três dias que provavelmente seriam assim. Ficara lendo sobre menores infratores, e as medidas socioeducativas responsáveis por lhes incorporar adequadamente à sociedade novamente. Houve quem estranhasse, porque eu adorava aquela festa tradicional em minha cidade, não pela festa, mas pelas companhias que ela me proporcionava. No entanto, resolvi fazer diferente quando abdiquei, pela primeira das muitas vezes, de tudo isso, por conta de um trabalho da universidade. Mais tarde eu abdicaria outras vezes, por causa dos estudos para uma prova que teria de fazer no final do período, por causa de uma monografia, por causa de um concurso público que teria de fazer, ou porque iria querer ficar em casa já que estava cansada mesmo. Mas eu pensava... tudo tem seu tempo, eu já fui, e poderei, se Deus quiser, ir a outras festas, encontrar com  os amigos, com a família e dar abraços e beijos e receber sua benção.
De uma hora pra outra, a gente percebe como as coisas mudam, e como essas mudanças são mesmo necessárias. As responsabilidades vão aparecendo, e os nossos sonhos tecem os caminhos que precisamos trilhar por elas. Tolos seríamos se nos engessássemos, e não aceitássemos, e não nos acostumássemos com a idéia de mudar. Faz parte da vida, amigo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Como as estrelas daquela noite


Onde estaria você naquele dia? A lua estava linda...
Eu havia chegado tarde em casa. Pelo menos consegui dormir na viagem, quase o percurso inteiro. Estava cansada. Mesmo assim, entrei na internet pra checar minhas páginas nos sites de relacionamento e minha caixa de e-mails. Nada demais em ambos, mas acabei, como sempre, indo deitar-me tarde. Agora, eu estava sentada na minha cama, costas apoiadas na sua cabeceira, pés plantados no colchão, eu escrevia. Porque me dera vontade de escrever sua ausência, sua demora talvez, e certamente, minha solidão. Havia ido conferir se a porta da frente estava mesmo trancada à chave, através do vidro percebera a luz da lua fascinante. Num pensamento súbito imaginei, onde você estaria naquele momento que não me fizera perceber o brilho daquela noite mais cedo? Não viera me buscar em casa quando cheguei, nem me levara para passear com você pelas ruas vazias daquela pequena cidade sem trânsito, àquela hora, com apenas poucas pessoas fofocando sentadas às calçadas de suas casas, e onde o maior barulho quem fazia nem era elas, mas o vento, que cantava, como em filme de suspense, querendo talvez dar sonoridade àquele meu pensamento solitário e ausente. As estrelas, que faziam companhia aquela lua tão iluminadora naquela noite, também pareciam esperar comigo, ansiosas, até ao dia em que filmariam nossos beijos, e entre tantos, os de despedida na porta de minha casa. Querido, porque sequer não me dás notícias, e evita meu sofrimento precoce dizendo-me ao menos por onde andas? E se não andas tu por lugar algum, porque também está em casa, pensando talvez porque sua amada também demora tanto, ou não, então fala-me de teu coração, e o teu amor, onde se encontra? Eu, como as estrelas, ansiosa, te espero. E se não apareceres cedo, manda-me ao menos a resposta dessa última pergunta que te fiz. Diz-me se ele está a caminho, o teu amor, o teu coração, ou se ele está longe, muito longe ainda de mim, me diz.

Deixe


Deixe sentir o olhar daquele vibrando, quando reflete a sua vontade também. Deixe querer, desejar sentir os lábios que apreciam os teus os tocarem também. Beijei-os. Deixe tocar-se pelos braços que dantes procuravam lugar, espichados, no lugar de sempre, mas sem ter lugar. Abrace-os também. Deixe sentir o cheiro que procurava a tanto, do perfume que nem conhecia a fragrância. Deixe correr na espinha dorsal a vontade de continuar, de não sair do jogo, de jogar mais. Deixe aparecer, nascer, do olhar, do beijo, do abraço, do cheiro, da sensação, da oportunidade, enfim, aquilo que chamam de amar, aquilo que só se sente a partir do amor, e que, na verdade, já existe em você. Então deixe mesmo que o nascido apareça, simplesmente, deixe.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PAI MARAVILHOSO


Eu não tenho mais idade pra escrever cartões daqueles que eu fazia quando pequenina, com uma gravata mal pintada de azul na frente, e dentro uma mensagem mais ou menos assim: "Eu Te Amo, papai! Você é o meu herói!". E apesar da ausência do cartão, o senhor nunca deixou de ser um HERÓI, herói da vida, da casa, de uma família, a nossa família...
Eu Te Amo, com toda a intensidade que te amei desde o primeiro dia em que me pegaste no colo (mesmo sabendo que o senhor me achou feia e vermelha, rs). Eu não lembro, sei que não, mas sei o quanto esse amor foi tão forte, porque era, e é, um amor tão de verdade, tão sincero, um amor de pai e filha, mesmo.
Obrigada por tudo papis lindo, obrigada mesmo.
Não tenhas dúvidas do quanto és um PAI MARAVILHOSO.
Feliz seu, todo seu, dia.

Ainda por cima, Deus me dá a graça de todos os anos comemorarmos tão pertinho desse dia especial, um outro, que não é preciso dizer o quanto é ainda mais especial. Mais um ano de sua vida, é mais um ano de alegria, de felicidades para nós todos, pai. FELIZ ANIVERSÁRIO! O que mais desejo, e peço a Deus todos os dias, é que Ele esteja sempre ao teu lado, cuidado de ti, e de sua companheira, minha melhor amiga, minha mãe linda, todos os dias, quando eu estou ou não por perto de vocês. O senhor merece o que há de mais precioso, sempre.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

1.9


Às minhas velinhas, luz divina, para iluminar a minha vida!
Só por hoje tô dispensando as narrações que não sejam as das histórias que compõe todo o caminho que já trilhei. Histórias de amor, de risos, de conquistas, de quedas e reconstituição, de compaixão, de felicidades!
Por todos esses capítulos, é a ti que, de todo meu coração, agradeço, Senhor!
Obrigada meu Deus por mais um ano de vida recheado de alegrias, de aprendizado, de amadurecimento, de novas e velhas boas amizades, de crescimento espiritual, de amor incondicional, de saúde, de paz...
És promotor de todas essas maravilhas em minha vida!
De novo, e sempre, muito obrigada! :)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Divina sabedoria

Nos olhos daquela menina, as lágrimas de uma dor profunda que insistia em unir-se ao tecido que revestia seu coração, ou ao músculo que o compunha. Eram os pensamentos tortos que a atormentavam, querendo jogá-la contra si mesma, com força suficiente para torturá-la. Mas do fundo dessa mente, que muito ruim pensava, ouvia uma voz mais forte, e mais clemente, dilascerante, como que partindo de sua alma."Calma, eu estou aqui". Deus a tocava. E quão grandiosa é a sabedoria divina, que criando o homem tão frágil em seu pensamento, cria nele mesmo o remédio para seu tormento, fazendo nascer lá de dentro a fé que o curaria.
Recorria à velha folha em branco, e com a caneta esferográfica do último semestre, escrevia tudo o que sentia, e àquela voz respondia, calmamente, como ela lhe pedira: "Que bom, que bom que você está aí".

Mariana Xavier

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Que sejas o que és

Aquilo era psicológico. Uma má notícia que insistira em continuar presa a meus pensamentos, um susto que não passara imediatamente e que precisaria de muito mais que um copo d´água pra liguidar-se o medo, o atraso de um resultado que me deixara totalmente instável durante algum tempo. Por algum motivo eu me sentia totalmente deslocada de tudo que eu havia cultivado até então. Aquelas pedras que eu havia desviado quando passara pelo caminho deteriorado que trilhara, pareciam querer voltar e me arruinar quando tocavam o ponto mais fraco de um ser um humano frágil como é o adolescente em sua fase de promoção ao mundo dos adultos, totalmente novo e cheio de coisas muito mais rodeadas de responsabilidades que sair das bonecas e conhecer gatinhos na balada, a sua fé. Era como se tudo estivesse errado, tudo quisesse uma reforma; como se eu precisasse esvaziar-me do que construí anos a fio...
Rezei, rezei, rezei. Mesmo quando tudo que eu sentia era a falta da firmeza na fé que conduziria minha oração, me entreguei às preces que eu tinha em meu coração. "Pai, faze-me ser como o Senhor deseja que eu seja" E Ele simplismente queria que eu fosse...
Aqueles dias foram passando, e eu continuava rezando. Era a única coisa que eu podia fazer. Pedia paciência, paz. Meus olhos se abririam depois de algum tempo em busca da força que sustentava a fé em minha vida, Deus. Na verdade, essa é uma busca constante para mim, descobrir mais, saber mais, sentir mais; e então eu consegui enxergar que, na realidade, a sensação ruim de querer destruir tudo o que eu plantara até então, era uma briga travada entre eu e eu mesma, num confronto imbecil entre o que me fazia ser quem eu realmente era e tudo aquilo pelo que eu, sendo facilmente influenciada, quando da inobservância de meus próprios princípios, me deixara querer se transformar. Eu precisava mesmo saber o que estava acontecendo comigo, me libertar da tortura do não entender. Até lá, não fosse Deus escutando minhas preces, compreendendo cada palavra e lágrima frágil, sedentas da sua compaixão, eu não teria saído sequer do que me queria conduzir àquilo que não sou. Teria seguido, sem parar pra pensar naquele combate que se travara dentro de mim, apenas desestruturando o que me fazia ser eu mesma.
Naqueles dias de prece, eu pude sentir mais de perto a presença Daquele que me ensina a amar, incondicionalmente, pai, mãe, família, amigos, principalmente os de verdade. Eu pude me debruçar sobre Ele como um bebezinho indefeso, precisando de ajuda para sobreviver. Eu pude sentir a força, muito mais intensa do que eu pudesse imaginar, da minha fé, da minha crença. Eu pude sentir a paz, a paciência, a mansidão da graça do amor de Deus em minha vida. E eu continuaria a rezar, continuaria a buscar, continuaria a querer sentir, sempre, sempre, esse amor, essa graça que me fazem imensamente bem e feliz.

domingo, 12 de junho de 2011

Esquematicamente apaixonada

Bem, nossa história nem é antiga na verdade, mas já tenho tanto a falar sobre você. Aprendi muito depois que te conheci... coisas para a vida sabe?! e que me ajudarão a procurar algo melhor nesta, tenho certeza, me ajudarão a vencer aos tantos adversários pelos quais passarei nos vários concursos que perseguirei durante ela.
Há mais ou menos um ano que te conheci. Você não era nem um pouco tímido, pra falar a verdade, eu que as vezes me intimidava em ir falar com você, tentar descobrir-te, porque não, não foi amor à primeira vista, mas aos poucos, a convivência foi me fazendo ver o quanto você era importante para mim, o quanto você me proporcionava bons momentos, principalmente depois das várias provas pelas quais passei, onde você sempre esteve presente fosse antes me dando forças, fosse depois na alegria do êxito conseguido no resultado.
Sempre bom companheiro, compreensivo, sabe me escutar, mas também fala, e quando fala... parece nem querer mais parar de tanto que tens a me dizer, tanto que tens a me ensinar. Presente, sempre! Por isso eu não posso reclamar de sua falta de atenção porque nunca me deixaste na mão, para qualquer lugar que for sei que só é convidar-te que não me negarás a tua deliciosa companhia, muitas vezes tão boa que chegava a imaginar-me em um lugar onde o azul e o branco eram as únicas cores que prevaleciam, como um céu. E sincero, muito, de modo tal que eu consigo ler cada linha sua quando olho seus olhos, lindos. A única coisa que me deixa um tanto inquieta, mas que sei, que não é nada mais nada menos uma prova de seu amor por mim, é esse seu Controle obsessivo que parece querer consumir-me até o último fio de cabelo, ou numa comparação bem mais justa, até o último neurônio de meu cérebro, preocupava-me. Mas isso é o de menos, e passa, sei que passa, como qualquer prova de amor, difícil mas, sempre, incrível, essa não poderia ser diferente.
Querido, obrigada pelos momentos que me proporcionas. Passar esse dia com você será apenas mais uma vez inexplicável, e proveitoso no mínimo. E continuarei me apaixonando por você, todos os dias, todas as quartas e quintas, porque sempre descubro algo mais incrível a seu respeito, e sei que ainda tenho muito a aprender com nossa história... Eu te amo, e para sermos justos, esquematicamente, como você!


De 12/06/2011, em uma homenagem a meu querido Pedro Lenza, mais especificamente a seu livro, quando duas provas maravilhosas de  Direito Constitucional eram as "únicas" coisas com as quais eu me preocupava, e querendo ou não, me fizeram mais uma vez apaixonar-me, e para tanto, não haveria dia melhor.

sábado, 11 de junho de 2011

Além, muito além disso

Via redemoinhos atrapalharem a mente, embaraçavam-lhe os pensamentos e a imaginação, entorpeciam-na, debilitavam-na, nenhum deles vinha para refazer o que outro havia destruído, de forma diferente e, por sua natureza, esperada, só aguçavam ainda mais aquele novelo destruído.
Lá no fundo porém, havia (há) uma coisa além de redemoinhos, além de entorpecentes, além de tudo que queira ver destruída, principalmente por dentro, mas por fora também, aquela menina. Uma esperança, uma Fé meu Deus, uma confiança... ela ainda tinha, ela tem.