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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O vai e vem do vento

Migalhas de um amor vivido. Era quase impossível esquecer tudo aquilo, havia sempre uma ou outra lembraça num amontoado de pensamentos escondidos numa gaveta qualquer da memória. A chave? Sua presença. Sua presença numa música , num gesto reproduzido por um amigo, ou outra pessoa, na lembrança de um beijo quando da observação de outro casal apaixonado, numa palavra, num cheiro, na sua presença mesmo, física, digo, mas mais ainda na impossibilidade de tocá-lo. Cascalhos apenas... grisalhos que já estavam aqueles pensamentos, ainda assim, reconduziam-me àquele tempo, bom tempo, levado pelo vento. Perdido. Reencontrado, porém, quando o mesmo vento insistira em soprar sobre mim novamente.
Brisa, ora quente, ora fria, a depender de quais memórias saltavam das gavetas que abria. Mas sempre envolventes, sempre. Podia sentir aquele vento abraçar-me e roubar todas as minhas forças, como você fazia. Aconchegante e carinhosamente. No fim, um sorriso, dois, na verdade, os nossos.
A brisa também sorriu, e depois, partiu, e me deixou outra vez sem os abraços. Fechou as gavetas que se abriram na minha mente, trancando de novo teus braços quentes, os beijos envolventes, o cheiro, os gestos, as palavras, as músicas da gente, trancou você, enfim. Fazendo-me crer que nunca mais você ía reaparecer, fazendo-me crer que agora eu iria te esquecer, fazendo-me perceber, no fim, e verdadeiramente, que por sua presença, e súbita ausência - da brisa, digo -  tudo poderia voltar, de repente. Só para eu poder ver meu guarda-roupas desorganizado, quando abrindo suas portas, reviraria todas as minhas roupas, na velha gaveta, até encontrar aquela antiga peça, bem no fundo, aquela que, mesmo sendo fã dos atos de caridade, era 'minha' demais para isso. Porque ela vestia além de um corpo. Vestia, na realidade, parte de minha história, ou a nossa história, por completo, marcante demais, pessoal demais, e portanto, repito, 'minha' demais para ser doada.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Crença e querer

Oi, meu bem, como você está? (...)
Eu te amo, eu também te amo!


O coração palpitava, flamejando de amor. Era o início dele, e eu queria aquilo pro resto dos nossos dias, mesmo sabendo que brigaríamos, mesmo sabendo que podíamos terminar aquele lance, mesmo sabendo que ninguém é de ninguém pra sempre. Mas eram naqueles momentos que eu acreditava no amor de verdade, quando eu também, recostada em seu peito, sentia que seu coração não pulsava normalmente, mesmo que ele negasse, ou não dissesse nada; ali, quando os olhares não eram apenas pupila, retina, cristalino, fazendo seu papel, mas eles queriam ser mais, queriam ser boca, eles falavam, enquanto essa calava, porque não precisava dizer nada. Como algo assim poderia acabar de repente? Tanta perfeição para nada.
Perfeito? eu disse perfeito? Deve ser isso, ele não o é, se acaba, não o é. Acredito na perfeição divina, além dessa... deve ser esse o problema, ele não o é, ele nunca vai ser, quando não for verdadeiro. O que você sente e pensa que é amor, não é amor, amizade talvez. Desejo, amor, não. Deus é amor, se acredito ser Ele, e apenas Ele, perfeito, então, o amor é perfeito se for verdadeiro, porque também acredito que Deus é verdadeiro.
Ligações demoradas, apostilas rabiscadas com corações e nomes dentro desses, quando tudo que eu conseguia fazer enquanto "estudava" era isso, horas olhando para uma parede, ou para um guarda-roupas, ou para o chão, e não vendo nada disso, mas vendo um sorriso, ouvindo uma voz, sentindo um cheiro que não era o meu, nem o do lugar onde eu estava. Paixão, paixão. Como podes ser tão boa assim. E porque passas? Ainda bem que passas... o amor não ganharia forças se juntos, eu e você, você e ela, você e ele, eu e ele, ele e ela, não passassem por momentos onde tudo o que conseguem ver são guarda-roupas, parede e chão, de verdade. Como é complicado. Vive-se, sonha-se, mas também sofre-se, junto. E se não o fosse, não teria graça, porque ninguém aguenta não sair da rotina um dia sequer.
Eu acredito no amor verdadeiro. Eu quero um amor verdadeiro. Com olhares, sorrisos, com descompassos, só pra encontrar um passo de novo. E comemorá-lo. E mesmo assim, complicado, com sonhos, e sofrimentos, com vidas, para formar uma única vida, um único ser, enfim, tudo junto.

Com ligações sem hora certa... e não que algo tão imenso se resuma a um telefone, dois, na verdade - e uma única linha - mas é que não sei se acordaria feliz e disposta para atender todos os telefonemas a qualquer hora, só pra escutar alguém dizer do outro lado qualquer coisa. Mas queria acordar assim sempre, pra atender - Oi, meu, como está? ou o que houve?- e ao fim, responder, ou escutar sempre algo bom - Eu te amo, eu também te amo!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pra ajudar o tempo



Eu havia mesmo decidido não escrever mais sobre você. Porque disse a mim mesma, como se minha vontade de não querer mais te escrever fosse suficiente, que não buscaria mais motivo pra escrever nada sobre ti. No meu trato, prometera que tudo o que eu sentisse depois dali por você, não passaria de meus pensamentos, jamais chegaria ao papel, ou à tela. Mas eu esqueci que apaixonar-se não requer contrato, quanto mais desapaixonar-se, esqueci que a paixão tem sua própria palavra, e meu querer não poderia nunca atuar em lugar dela.
Resolvera não olhar mais suas fotografias, nem seus recados, para os outros, nem te ter mais na minha lista de amigos no site de relacionamentos, só pra não ter que ver seu status aparecer de repente na minha página inicial. Porque eu queria você longe de mim, de todas as formas, eu quero, na verdade, e por isso continuo fazendo tudo isso. Nos últimos meses tentei ser mais realista comigo mesma, busquei entender melhor a vida, e os verdadeiros valores que ela apresenta, desejei e busquei crescer humanamente, como nunca tinha feito, e como sempre faria a partir de agora. Tornara-se mais fácil compreender, e aceitar, que só o tempo faria diminuir, e um dia, desaparecer aquele nó que você deixara dentro de meu peito, e que tudo que eu fizesse não seria mais que ajudar esse tempo a trazer um tempo em que o nó não mais existiria, ou pelo menos, não por sua causa.
Outro dia pensei que você, com tudo que me fizera passar, teria me deixado um tanto mais fria em termos de relacionamentos. Mas conversando com uns amigos percebi que não. De uma conversa aprendi que quando sofremos por um amor, o seguinte sempre nos causa uma espécie de receio, é como se tivessé-mos medo de que tudo se transformasse no que passamos da última vez; em outra conversa, descobri que somando-se a isso, passamos a querer enfrentar o amor como algo real, passamos a querer dar um tapa nas ilusões assim que percebemos a presença delas. Por esses motivos, sei que não me tornei fria, ou pelo menos prefiro achar que abri uma das janelas de minha mente que quer construir um amor inteligente, digo, um amor "adulto", sendo mais clara: nada de conto de fadas, é isso.
De qualquer forma, só estou escrevendo de novo sobre você, só estou quebrando meu trato comigo mesma, porque senti a necessidade de abrir meu coração para as palavras, a seu respeito, novamente, como para extrair de mim cada dígito que ainda resta de você. Porque vez em quando ainda vejo tuas fotografias, só pra ter certeza de que o coração sente o que os olhos veem, só pra ter certeza que não é fácil esquecer um amor, e que precisarei ser ainda mais forte pra suportar cada gelo que se segue em meu interior quando te vejo, só pra ter certeza que eu tenho mesmo que continuar ajudando o tempo a trazer meu tempo sem você, de volta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Contramão


Ah, coração... quisera eu entender o porque de olhares sempre na direção que não te convém, preciso mesmo te dizer que contramão não faz bem, coração? Mais teimoso ainda que sejas, quando digo que são vãs as tuas perseguições, insistes doentiamente no intento que almejas. Masoquista - acho que és as vezes - que mesmo sabendo o quanto podes sofrer, alimentas, sozinho, o desejo de ter quem nem sequer te ver de longe, e em cuja mente não passas de tecido muscular cardíaco; e para quem estás inteiro, nada mais. Pois sequer consegue imaginar o quanto aquele pano não é nem uma peça, inteira, não consegue enxergar o quanto ele está partido, porque foi deixado de lado, ou porque, nem de lado, foi mais olhado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Como as estrelas daquela noite


Onde estaria você naquele dia? A lua estava linda...
Eu havia chegado tarde em casa. Pelo menos consegui dormir na viagem, quase o percurso inteiro. Estava cansada. Mesmo assim, entrei na internet pra checar minhas páginas nos sites de relacionamento e minha caixa de e-mails. Nada demais em ambos, mas acabei, como sempre, indo deitar-me tarde. Agora, eu estava sentada na minha cama, costas apoiadas na sua cabeceira, pés plantados no colchão, eu escrevia. Porque me dera vontade de escrever sua ausência, sua demora talvez, e certamente, minha solidão. Havia ido conferir se a porta da frente estava mesmo trancada à chave, através do vidro percebera a luz da lua fascinante. Num pensamento súbito imaginei, onde você estaria naquele momento que não me fizera perceber o brilho daquela noite mais cedo? Não viera me buscar em casa quando cheguei, nem me levara para passear com você pelas ruas vazias daquela pequena cidade sem trânsito, àquela hora, com apenas poucas pessoas fofocando sentadas às calçadas de suas casas, e onde o maior barulho quem fazia nem era elas, mas o vento, que cantava, como em filme de suspense, querendo talvez dar sonoridade àquele meu pensamento solitário e ausente. As estrelas, que faziam companhia aquela lua tão iluminadora naquela noite, também pareciam esperar comigo, ansiosas, até ao dia em que filmariam nossos beijos, e entre tantos, os de despedida na porta de minha casa. Querido, porque sequer não me dás notícias, e evita meu sofrimento precoce dizendo-me ao menos por onde andas? E se não andas tu por lugar algum, porque também está em casa, pensando talvez porque sua amada também demora tanto, ou não, então fala-me de teu coração, e o teu amor, onde se encontra? Eu, como as estrelas, ansiosa, te espero. E se não apareceres cedo, manda-me ao menos a resposta dessa última pergunta que te fiz. Diz-me se ele está a caminho, o teu amor, o teu coração, ou se ele está longe, muito longe ainda de mim, me diz.

Deixe


Deixe sentir o olhar daquele vibrando, quando reflete a sua vontade também. Deixe querer, desejar sentir os lábios que apreciam os teus os tocarem também. Beijei-os. Deixe tocar-se pelos braços que dantes procuravam lugar, espichados, no lugar de sempre, mas sem ter lugar. Abrace-os também. Deixe sentir o cheiro que procurava a tanto, do perfume que nem conhecia a fragrância. Deixe correr na espinha dorsal a vontade de continuar, de não sair do jogo, de jogar mais. Deixe aparecer, nascer, do olhar, do beijo, do abraço, do cheiro, da sensação, da oportunidade, enfim, aquilo que chamam de amar, aquilo que só se sente a partir do amor, e que, na verdade, já existe em você. Então deixe mesmo que o nascido apareça, simplesmente, deixe.

domingo, 22 de maio de 2011

Expectativa de amar

Ela sofria tanto, sofre. Namorou anos com aquele garoto e num dos momentos mais difíceis de sua vida, ele resolveu que eles não davam mais certo. Acabou-se, e mais uma soldada voltou ao exército das amantes não amadas pelo amados. Complicado. Ainda que dissesse que agora só queria esquecê-lo, esquecer essa tarefa era o que era mais difícil. Ele sempre estava na recordação de um jogo de cartas, de um passeio, de um almoço em algum lugar, de um lugar, era inevitável, ela sempre o lembrava.
Nós estávamos mesmo falando sobre isso de lembrar das pessoas de quem se ama, de não esquecê-las fácil, de sentir, mesmo depois de meses que as viu, o friozinho característico que comprime o estômago. Foi então quando me toquei, já havia alguns meses, senão ano(s), que eu não sentia isso por ninguém, que eu não sentia essa saudade, que eu não sentia esse friozinho, que eu simplismente não sentia esse amor, acho que assim posso dizê-lo, por ninguém. Preocupei-me, lembrando-me do quanto é bom tudo isso, do quanto é bom amar.

___ Ah, eu queria gostar de alguém, é tão bom gostar de alguém.
___ Hum rum, é sim, mas quando se é amada também.
___ Não, claro, isso é verdade. Mas eu queria gostar de alguém de novo...

Não demorou muito, eu gostei, gosto!
Então, passei a lembrá-lo, a procurá-lo, a querê-lo.
Passei a fazer os mil planos que se fazem quando imaginamo-nos na presença da pessoa amada. Passei a pensar no que dizer quando nos encontrasse-mos na rua por acaso, ou falso acaso, já que para esse último eu também passei a fazer planos. Queria saber o máximo que pudesse sobre sua vida, a família, o time, a comida, do que ele gostava, o que ele fazia, se malhava e onde ele malhava, onde estudava, trabalhava. Eu queria saber tudo sobre ele, eu queria ele. Eu amava...
E como sofri por isso, recordei agora aquela conversa... "mas quando se é amada"
Eu não lembrava o quanto era ruim não ser notada, o quanto era ruim esperar uma mensagem que nunca chegaria, um telefonema, um e-mail, e pra ser o mais sincera e prática possívell, eu não lembrava de como era ruim não te ver na minha lista de visitantes recentes do orkut. Ah se eu lembrasse! Se eu lembrasse que passaria horas pensando em você ao invés de estar estudando o assunto da prova do dia seguinte, se eu lembrasse que iria perder mais tempo ainda sem falar com ninguém só esperando que a (sua)janelinha no (meu)MSN subisse, se eu lembrasse que eu correria o risco de sofrer tanto assim, como estou sofrendo agora, eu não sei se eu teria dito que queria gostar de alguém, mesmo que ele de mim não gostasse. Porque eu pensava que era bom, era bom ter um motivo pra sair, pra se arrumar, pra perguntar a uma amiga, logo depois de falar com essa pessoa, "ainda dá pra sentir meu perfume?", mas eu só pensava...
Sinceramente, não sei se ainda continuo querendo gostar de alguém só pra sentir frio, e estremecer ao ouvir seu nome, ultimamente estou preferindo falar de sandálias roupas, maquiagem, ainda que seja um tanto fútil gastar tanto tempo com isso (se eu levar em consideração o quanto penso e falo em/sobre você). Não, eu não quero me tornar uma pessoa fria, longe de mim, mas enquanto eu não gostar de alguém que pense e fale em mim na mesma proporção em que eu pense e fale nela, eu vou tentando contornar isso com esses objetos "fúteis" de vez em quando, dói menos sabe? dói só nos pés, no máximo, no bolso.

domingo, 10 de abril de 2011

Liberdade a salvo, ou não

Naquele final de semana eu sabia que você estava perto de mim. Não que você houvesse saído de mim em nenhum instante, e portanto, sempre esteve perto, mas falo da distância que só me permitia te ver por fotografias, nada mais. E, ultimamente, nem mesmo por essas, eu evitava, sabe aquele clichê "o que os olhos não veem o coração não sente"? então... apesar de não ser de todo correto, a gente tenta que dê certo, é mais uma questão de fé, acredito, enfim.
Você me viu passando, também o ví. Antes disso, não havia muito tempo eu te confundi com um cara quando passei por um lugar, era tão parecido... voltei, não custava nada tentar vê-lo mais de perto. Nos 5 minutos antes de chegar ao local meu coração teria conseguido bater 650 vezes, no mínimo tenho certeza, minhas mãos estavam geladas, e o medo agora, era "você" perceber, respirei fundo antes de ir ao encontro do desconhecido. E então, a surpresa, era outro o rapaz. Naquela mesma noite te encherguei mais uma vez, mas acho que não foi recíproco, ou se foi, eu não percebi, ou você não quis que eu percebesse (a segunda opção me deixa com menos dúvidas, confesso).
Na noite do dia seguinte eu estaria simplismente louca para sair de casa e te ver, passando, nem que fosse dentro do carro, de longe, e mesmo que você nem me visse, mas eu ficaria feliz. A indisposição de uns amigos, me fizeram sair um pouco tarde já, mas mesmo assim, eu fui, e a única coisa que consegui ver foram seus pais, legal né? nossa! algo como você, por exemplo, a deixaria ótima, mas isso não significa dizer que ela não tenha sido boa, agradável.
Depois de tudo isso, e no seu decorrer, a única coisa em que eu conseguia pensar era em como eu estava sendo boba, nada mais, mas nunca neguei que esse é um ótimo sinônimo para apaixonada, vislumbrada, encantada. Meu Deus, era isso mesmo, eu estava simplismente fascinada por você! A essa altura, eu já me conformara que o ato de fazer-me te esquecer era de todo função do tempo, e eu seria paciente, deixaria ele cumprir com essa sua tarefa. E sabe, o último teste acadêmico que fiz foi de Direito Penal, quando estudava aprendi algo interessante e de grande valia nesse nosso contexto, ou meu contexto: enquanto eu não estiver afetando a terceiros, eu jamais posso ser punida por aquilo que trago dentro de meu ser, então, mesmo que minha amiga tenha saído comigo a seu encontro, que com certeza seria casual, e mesmo que ela gaste um bom tempo tendo que me escutar falar seu nome, como eu "não" a obrigava a isso, eu estava tranquila, por nenhum motivo a esse respeito eu seria privada de minha liberdade. Bastava meu coração está preso a você, e já era demais, quando eu sabia que o seu no máximo lembraria meu nome, mas só isso.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Agora, o jeito que mais quero

Então, deixei-o. E os recados, as fotos, suas, da sua família, de seus amigos, em nada mais eu tentaria olhá-lo. Ficaria com sua última imagem em minha mente, e esperaria não mais com a mesma ansiedade de outrora para vê-lo novamente, porque eu não queria mais perder meu tempo imaginando como seria aquele reencontro, sua reação, minha reação, como reagiria meu coração, seu coração...
Sua última lembrança? o silêncio, e mal sabia ele o quanto aquele silêncio havia me dito coisas, tantas coisas "eu não quero mais falar com você, me cansei, desista" ou da forma mais educada possível, e também mais dolorosa "por favor, me esqueça". Não, eu não iria esquecer de imediato nenhuma das coisas que o lembravam em mim, eu sei, não seria fácil, mas eu não iria deixar de tentar não lembrar.
A minha vida, minha rotina repleta de coisas cujo tempo era pouco para fazê-las, me ajudava a permanentemente continuar tentando isso. Universidade e daí, o tempo para ler, reler, e ler novamente aquelas apostilas e aqueles livros, os colegas, os amigos que já havia conseguido através daquela, minha família lá longe, e a saudade... tudo isso me ajudava a continuar tentando quando me diziam o quanto eu tinha coisas para com as quais usar meu tempo, precioso tempo. E nem sei se poderia chamar de coisas, pelo valor que norteava tudo isso, tão, mas tão importantes para mim.
Então vá agora, pode ir, a todo tempo sufocando você dentro de mim e quando sei que sua vontade era muito mais estar livre, estar longe de meus pensamentos, de minha mente, não vou mais te prender, eu não quero, e te deixo sair, ir, e ficar longe de mim, o mais longe possível, pra eu nem te olhar, ver, do jeito que você sempre quiz, do jeito que eu nunca quiz, mas que agora, é o jeito que eu mais quero.

sábado, 12 de março de 2011

Se você fosse um parágrafo...

Sentada para estudar debruçava-me sobre os livros imaginando que olhar apenas para aquelas palavras seria te esquecer por um momento. Era certo e necessário que te esquecesse durante aquele tempo, mas  as vezes funcionava, outras não. Repentina e incovenientemente você reaparecia para me fazer ler aquele parágrafo mais de quatro vezes, lavar meu rosto mesmo sem estar com sono, deixar a leitura de lado mesmo sem ser hora de intervalo, ou ir comer qualquer coisa mesmo sem estar com fome na tentativa presumidamente falível de abstrair de meu estômago aquele nó que insistia em apertá-lo até o último fio de ar possível. Mas não, não! Eu tenho que voltar a estudar, a ler... mais que beijos e abraços era um sonho que eu buscava concretizar, era um objetivo que tinha de percorrer, era um futuro, o meu futuro, aquele que eu escolhera lutar para conseguir ter.
Minutos depois eu estaria lá, sentada, novamente hipnotizada por aquelas palavras didaticamente organizadas, estaria concentrada e minha vontade era de ficar assim sempre, mesmo sabendo que mais tarde eu voltaria a pensá-lo, a querê-lo, senão acordada pelo cansaço do dia, pelo sono, no sonho de onde você não sumia. Pior de tudo era que você, pelo menos por enquanto, também era um objetivo, e não deixava de ser também o que eu queria como parte de meu futuro, pena que eu não te encontrava nos livros, na leitura, em nenhum parágrafo, em nenhuma frase sequer, em nenhum período, a você me caberia outra forma, ou uma forma subjetiva, de procura.

...seria tão mais objetivo, tão mais fácil te encontrar também nos livros.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ver

Ele não me olhava, não como eu queria, nem um minuto sequer. Das nossas conversas, o silêncio, nada mais. Dois olhos apenas, e quem os corresponderia naquela foto de casal? Deitados, a única coisa que faziam era formar um espelho, no chão, com a água das lágrimas que deixavam escapar. Quando olhavam cá dentro, viam um coração arruinado, destruído pelo tempo, pelo vento forte que passara. E quando levantava a cabeça, julgava-me ao ver as possibilidades (oportunidades), as que foram, as que ficaram, e as que queria. A vida alí, nessa dimensão, parecia-me tanto um jogo, cujas regras desconhecidas não facilitavam seu encontro, e quando as descobria não as sabia usar, não sabia jogar.
Uma Universidade, amigos, bons amigos diga-se de passagem, e um futuro pra traçar... uma família que acreditava em mim, e talvez isso fosse o que mais me apoiava.

Do mais, a falta, a vontade, e agora, talvez, a saudade.

Diz tudo

 

De tantos carnavais... ou do singular e mais recente.

quarta-feira, 9 de março de 2011

De novo

Estava confusa como nunca. Seus olhos contornavam a minha inconstância, e eu relutava contra a sombra que insistia em tornar a rodear meus dias... fotos, recados, e alguns, muito poucos,"oi" roubados, porque eu me policiava, não poderia ser presa por minhas próprias palavras. Ansiedade incontrolável, que me sugava até o último fio de ar do estômago. Vontade, de te ver, de te ter, de verdade, além dos papéis das fotos cujas posições em seus álbuns já eram gravadas em minha mente. Tudo de novo.
Da última vez porém, eu consegui controlar tudo isso. As verdades, fatos, foram muito mais sinceros que o que eu poderia imaginar, e eu não esqueci nenhuma delas, nenhum deles. Talvez seja mais fácil dessa vez, e  a constância desses fatos e dessas verdades me ajudem a romper essa inconstância que me toma de corpo e coração, de alma não, ou ainda não.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Querer

Já havia um tempo, eu sentia falta... Queria ligações e mensagens de texto com os mais lindos "bom dia" que poderia receber. Os mais esperados. Queria apostilas rasuradas com nomes em grafite, em tinta, interligados por a mais conhecida das conjunções aditivas. Queria um motivo a mais para tomar sorvetes que não fosse experimentar todos os sabores só para dizer que conheço todos, mas queria conhecer o preferido, de ambos. Mãos dadas, abraços e beijos todos os dias. Papéis de bombom e chocolates guardados na minha caixinha, que era só para isso, e queria outra caixinha, só pra enchê-la com todos os guardanapos e os pedaços de papel em que se escreveu alguma coisa, em algum dia, em algum momento especial. Queria um sorriso de quem ama, e um olhar de quem ama, Queria o amor, de quem se ama.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

? ♥

Difícil é te esquecer, só te esquecer. E não me pergunte o porquê de você continuar presente, mesmo quando você está ausente, mesmo quando você nem está. Quando eu mais tento, ignoro minha própria vontade, desprezo meu próprio pensamento, você é mais esperto e me aparece nos sonhos, quando eu não posso fazer nada senão acordar, e quando acordo, lembro do sonho, e de você, lindo, sorrindo, me olhando. Então, como te esquecer?
Eu te queria tanto, demais. Te quero. Mas não sei o que há, parece que sempre os que mais quero, são os que não posso ter, e seria tão bom saber o porquê disso também, porque, na verdade, a vida é cheia dessas interrogações, e apesar das respostas serem muitas vezes bem óbvias, demoramos pra compreendê-las, e quando menos esperamos elas aparecem, e só.


Tudo bem então, eu espero, e só.

Mariana Xavier

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Ainda tentei, retentei e tentei novamente. Mas você foi claro demais quando me disse apenas que não dava. Eu não tinha porque continuar frustrando minhas tentativas. O tempo lançara-me a ventos lentos e leves demais, mas que aos poucos me faziam perceber corretamente o caminho que indicavam.
Estava feliz por perceber. Por tentar seguir. Por não ficar ali morta, parada, inativa, mesmo estando tão viva. Muito viva inclusive para saber que era hora de buscar um outro amor. E eu iria. Assim, sem nada, do nada, eu apenas iria. Eu vou. Na verdade, eu estou indo.
Até mais, amor!

;*
Mariana Xavier

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

No máximo 1/3


Chega de ilusões. Que tipo de vida eu estaria me dando? Olhos tristes, mortos, cabeça baixa, dependurada na única imagem que me torturara tanto nos últimos meses. Corpo encolhido, como que embrulhando as lembranças de momentos inesquecíveis, como que não querendo perdê-las, deixar escapar. Mas porque? Porque eu não conseguia simplesmente deixar que você escapasse, se eu já havia notado o quanto aquilo me fazia mal? o quanto você, mesmo sem saber - sem saber de nada, absolutamente nada, nem imaginasse - era o motivo daquela minha tristeza? Eu não aguentava mais te procurar nos lugares que ía, tentar te enxergar e fazer mil planos de como ir falar com você se caso você estivesse lá. Eu não aguentava mais ter que encarar as pessoas à direção dos carros na rua, na esperança remota de te ver dirigindo. Eu não aguentava olhar uma foto sua, sem saber quando iria te encontrar de novo, sem te tocar, te abraçar e apreciar-te os olhos e o sorriso, o lindo sorriso que me roubara a total atenção por alguns segundos na última vez em que te ví. Estava me sentindo uma completa idiota, presa a algo tão improvável quanto essa minha própria paixão repentina. Mas eu estava tentando. Por mais que estivesse difícil, insuportável, livrar-me de você, eu estava tentando, e continuaria, até que no máximo um terço do meu dia se resumisse a lembrar-te, a pensar-te a querer-te. O dia todo era estressante demais.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Costume


Maltratava minha mente com tuas lembranças. Havia horas em que estava tão sufocada que gritar seria mais prazeroso que apreciar-te em meu interior. Queria que você saísse de mim, mesmo que eu ficasse oca por algum tempo. Talvez esse tempo ajudaria a preencher esse espaço. Queria gargalhadas e risos sem pensar em como seria se você estivesse alí, ouvindo minhas gargalhadas, olhando meu sorriso. Queria enfim te esquecer, só para não lembrar o quanto te querer me fazia sofrer.
Já que não podia lembrar de você como amor, como namorado, tava me acostumando a lembrar de você só como amigo, já que aquele você nunca havia sido e talvez nunca iria ser. Ou estava na verdade me acostumando, ou tentando me acostumar a simplismente não lembrar de você, e realmente te esquecer, assim de verdade, como amor, como o namorado que eu nunca tinha tido, ou mesmo, como amigo.

Mariana Xavier

Cansada de ser esse vento


Ultimamente, com toda aquela vontade súbita de ser apreciada de um modo diferente, mais amoroso digamos, utilizara de muitas palavras tentando apreender sua atenção, alongava o quanto podia nossas conversas. Tudo em vão. Com todo aquele cabimento recebido, entender que qualquer coisa para você era mais interessante que me ver, falar comigo, era o mais certo até então.
Aos poucos desprendia, dolorosamente, a imagem que se formara de você em minha mente. As novas amizades, as suas, cada vez mais só torturavam-me a esperança já remota, aumentando as possibilidades de uma notícia desagradável, para mim, obviamente.
Estava cansada. Cansada de você e de te querer tanto. Cansada de seres para mim um tudo e de ser para você um nada. Eu já não sabia se queria te ver e aumenta meu tormento. Estava cansada de ser seguidora desse vento ou de ser para você o vento, aquele que por ti passara, mas só passara, e você deixou ele ir, resolvendo não o seguir, simplismente vendo ele partir e desaparecer no tempo.

Mariana Xavier

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Palavras

Estava transparente demais, queria algo mais visível. Era possível conhecer alguém pela conversa. Analisei seu modo de falar, eu era boa nessas coisas, iria tirar proveito daquelas frases trocadas para te conhecer melhor. Não precisei de muito, poucos minutos depois eu já tirara algumas conclusões a seu respeito. Como foi fácil quebrar aquele encanto exacerbado, era muito diferente do que eu imaginava. Cada palavra, e as pausas, algumas perguntas... eu poderia sentir o seu tom de voz insinuando algo determinado. Alguns minutos antes, meu coração quase fora a mil quando percebeu sua presença, nem eu esperava a minha reação, mas enquanto trocamos os primeiros “oi” e “tudo bem?” tentei fazer com que minhas palavras não denunciassem meu estado de espírito inicial, e acho que consegui, ou pelo menos elas não saíram tremendo. No decorrer da conversa, percebi que até então meus olhos estavam vendados – como sempre ficam a partir do momento que se idealiza algo, alguém – eu não conseguia enxergar nada senão pelos “olhos” da mente, e nela você quase não tinha defeitos.
Eu sabia, eu sabia que tinha que descobrir-te antes de imaginar mais qualquer outra coisa. Tinha de ter pelo menos uma noção da sua personalidade, seu modo de ser, seu jeito. Como poderia me apaixonar por alguém que mal conhecia? Era ridículo! Inaceitável!
Naquele dia, pude sentir mais de perto o quanto as palavras e o modo como as emitimos são importantes. Foi rápido decifrar-te, pelo menos superficialmente. Aos poucos aquela venda foi cedendo, e eu já conseguia ver um pouco mais da realidade, do lado de fora, da verdade.Quando tive que me despedir me sentia normal, e foi simples dizer “tchau!” As palavras, como sempre, haviam conseguido me dizer algo sobre você, e agora eu já me considerava um pouco mais conhecedora de seu jeito, seu modo. Te evitar não seria mais tamanho desafio. Considerava-me mais humana, real e menos mundo da fantasia. Considerava-me mais desiludida.

Tá, tchau!
Fique bem! ;*